terça-feira, 10 de novembro de 2009

“Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não como o Lula, que não sabe falar, é cafona, grosseiro. Ela fala bem.”
Caetano Veloso, Jornal O Estado de São Paulo, Caderno 2, 02/11/2008.

"Triste [Caetano], Oh, quão dessemelhante..."

"Caetano, ¿Por qué no te callas?"

terça-feira, 3 de novembro de 2009

"Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era; Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto."
José Saramago.

sábado, 17 de outubro de 2009

Nínguém Merece Morrer Duas Vezes!...


Relevo Espacial



Tropicália


Grande Núcleo


Parangolé



Parangolé




Hélio Oiticica sambando na Mangueira

















Ninguém Merece Morrer Duas Vezes! Diz o dito popular que só se vive uma vez; logo, a própria morte teria sua parcela única de existência. Mas para Hélio Oiticica, genial artista plástico brasileiro (1937-1980), a tão questionada “imortalidade cultural” de que tanto se fala, ou se persegue, foi duramente golpeada: Hélio Oiticica teve uma segunda morte hoje, 17 de Outubro de 2009: No Rio de Janeiro, a casa de seus familiares, onde estavam guardados algumas de suas mais importantes criações __ Instalações e Parangolés e Capas, seus “delírios concretos” __ , pegou fogo hoje... Grande parte do acervo ali guardado transformou-se em cinzas!...


“DA ADVERSIDADE VIVEMOS!”

“Não existe idéia separada do mundo do objeto, só existe o grande mundo da invenção.”

“Estou farto de todos os conceituais e nada tenho com eles. Meus projetos são antes de mais nada para serem executados e detesto a idéia de que seriam utópicos.”

“Cada centímetro do chão da Mangueira eu amo com a mesma intensidade com que me dedico ao meu trabalho criador.”

“Não ocupar um lugar específico, no espaço ou no tempo, assim como viver o prazer ou não saber a hora da preguiça, é e pode ser a atividade a que se entregue um “criador”.”

“Crer no lazer, que bobagem, não creio em nada, apenas vivo. Coitados dos que crêem, vai ver que jazem crendo, num espasmo, mas é que essa transespasmoação não interessa mais: e ainda a projeção (poderia ser uma projerecção) no lá, o plá místico, mas a meditação do lazer é mais que isso, porque talvez seja a onda, como a onda no mar, do mesmo mar, criada pelos ventos sobre ele, mas que são vistas-vividas em tantos modos quantos os que nascem de mim, de você e do mundo grande de gente que não vemos, mas que existe. Quero viver! Mas não quero crer! Não quero que a vida me faça de otário! Sim, porque crer é projetar-se de si mesmo no nada, néant. Prefiro a salada da vida, o esfregar dos corpos. Quero meu amor!”

Todas as citações, de Hélio Oiticica, em Aspiro ao Grande Labirinto.

Para Sandra “Sandrinha” Camurça, Juliane Xavier e Natália Borges.




“__ Derramaram nosso sangue, roubaram tudo o que tínhamos. Não apenas de nós, mas de nossos pais, e dos pais de nossos pais!
__
E dos pais dos pais dos pais dos nossos pais.
__ Já chega, entendemos. E o que nos deram em troca?
__
O Aqueduto.
__ O que?
__
O Aqueduto.
__ É, nos deram isso. É verdade.
__ E o saneamento.
__
É, o saneamento. Lembre como era a cidade.
__ Admito que os romanos fizeram o saneamento e o aqueduto.
__
E as estradas.
__ É óbvio! Nem precisa falar. Mas além do saneamento, do aqueduto e das estradas...
__ A irrigação.
__
A medicina.
__
A educação.
__ Certo, chega.
__
E o vinho.
__
Disso sentiremos falta se forem embora.
__
Os banhos públicos!
__
E é seguro sair à noite. Sabem manter a ordem.
__ Mas além de saneamento, medicina, educação e vinho... ordem pública, irrigação, estradas... água encanada, o que mais fizeram por nós?
__
Trouxeram a paz.
__ Paz? Cale a boca!”



A Vida de Brian, do Grupo Monty Python.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Um Pouco Mais de Clarice Lispector:

“mas o que é uma janela senão o ar emoldurado por esquadrias?”

“Mas a palavra mais importante da língua tem uma única letra: é. É.”

“E caminho segurando um guarda-chuva aberto sobre corda tensa.”

“Estou respirando. Para cima e para baixo. Como é que a ostra nua respira? Se respira não vejo. O que não vejo não existe? O que mais me emociona é que o que não vejo contudo existe. Porque então tenho aos meus pés todo um mundo desconhecido que existe pleno e cheio de rica saliva. A verdade está em alguma parte: mas inútil pensar. Não a descobrirei e no entanto vivo dela.”

“Tenho certo medo de mim, não sou de confiança, desconfio do meu falso poder.”

“Adoro orquídeas. Já nascem artificiais, já nascem arte.”

“Quero na música e no que te escrevo e no que pinto, quero traços geométricos que se cruzam no ar e formam uma desarmonia que eu entendo.”

“Antes de me organizar, tenho que me desorganizar internamente. Para experimentar o primeiro e passageiro estado primário de liberdade. Da liberdade de errar, cair e levantar-me.”

“mas escrever pra mim é frustrador: ao escrever lido com o impossível.”

“Quando penso no que já vivi me parece que fui deixando meus corpos pelos caminhos.”

“Como nada entendo __ então adiro à vacilante realidade móvel.“

“Eu te invento realidade.”

“Cada um de nós é um símbolo que lida com símbolos __ tudo ponto de apenas referência ao real. Procuramos desesperadamente encontrar uma identidade própria e a identidade do real. E se nos entendemos através do símbolo é porque temos os mesmos símbolos e a mesma experiência da coisa em si: mas a realidade não tem sinônimos.”

“Morrer deve ser uma muda explosão interna. O corpo não agüenta mais ser corpo. E se morrer tiver o gosto de comida quando se está com muita Fome? E se morrer for um prazer, egoísta prazer?”

“Ah, se eu sei que era assim eu não nascia. Ah se eu sei eu não nascia. A loucura é vizinha da mais cruel sensatez.”

“cada instante é mortal.”

“Tenho que falar porque falar salva.”

“O que é que na loucura da fraqueza uma pessoa diria a se mesma?”

“A ilogicidade da natureza.”

“Eu é que estou escutando o assobio no escuro. Eu é que sou doente da condição humana. Eu me revolto: não quero mais ser gente. Quem? Quem tem misericórdia de nós que sabemos sobre a vida e a morte quando um animal que eu profundamente invejo __ é inconsciente de sua condição? Quem tem piedade de nós? Somos uns abandonados? Uns entregues ao desespero? Não, tem que haver um consolo possível. Juro: tem que haver. Eu não tenho é coragem de dizer a verdade que nós sabemos. Há palavras proibidas.
Mas eu denuncio. Denuncio nossa fraqueza, denuncio o horror alucinante de morrer __ e respondo a toda essa infâmia com __ exatamente isso que vai agora ficar escrito __ e respondo a toda essa infâmia com a alegria. Puríssima e levíssima alegria. A minha única salvação é a alegria. Uma alegria atonal dentro do it essencial. Não faz sentido? Pois tem que fazer. Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas __ porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável.”

“Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria: mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. E a minha própria morte e a dos que amamos tem que ser alegre, não sei ainda como, mas tem que ser. Viver é isto: a alegria do it. E conformar-me não como vencida mas num allegro com brio.”

“Ah viver é tão desconfortável. Tudo aperta: o corpo exige, o espírito não pára, viver parece ter sono e não poder dormir __ viver é incômodo. Não se pode andar nu nem de corpo nem de espírito.”

“Olha para mim e me ama. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo.”

Todas as citações, de Clarice Lispector; todas, de Água Viva.

domingo, 4 de outubro de 2009



Solo Le Pido A Dios

Mercedes Sosa


Sólo le pido a Dios
Que el dolor no me sea indiferente,
Que la reseca muerte no me encuentre
Vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.


Sólo le pido a Dios
Que lo injusto no me sea indiferente,
Que no me abofeteen la otra mejilla
Después que una garra me arañó esta suerte.


Sólo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente,
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente.

Sólo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede más que unos cuantos,
Que esos cuantos no lo olviden fácilmente.

Sólo le pido a Dios
Que el futuro no me sea indiferente,
Desahuciado está el que tiene que marchar
A vivir una cultura diferente.



Eu Só Peço A Deus
Mercedes Sosa


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente,
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria.

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente,
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucado brutalmente.

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente,
É um Monstro grande e pisa forte
Toda forma de inocência desta gente.

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo,
Que este povo não esqueça facilmente.

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente,
Sem ter que fugir desenganado
Pra viver uma cultura diferente.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

“Pela primeira vez eu me espantava de sentir que eu havia fundado toda uma esperança em vir a ser aquilo que eu não era.”

“Até que ponto até agora eu havia inventado um destino, vivendo no entanto subterraneamente de outro?”

“Era o que os outros sempre me haviam visto ser”

“Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria.”

“Mas se eu gritasse uma só vez que fosse, talvez nunca mais pudesse parar. Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante.”

“Todo caso de loucura é que alguma coisa voltou. Os possessos, eles não são possuídos pelo que vem, mas pelo que volta. Às vezes a vida volta.”

“porque ver já começara a me consumir em prazer”

“Nunca antes soubera que a hora de viver também não tem palavra.”

"Amor é quando não se dá nome à identidade das coisas?”

“Perder-se é um achar-se perigoso.”


“E não me esquecer, ao começar o trabalho, de me preparar para errar.”

“pois quando a arte é boa é porque tocou no inexpressivo, a pior arte é a expressiva, aquela que transgride o pedaço de ferro e o pedaço de vidro, e o sorriso e o grito.”

“Eu teria que ser maior que meu medo e teria ver de que fora feita a minha humanização anterior.”

“Quanto mais precisarmos, mais Deus existe. Quanto mais pudermos, mais Deus teremos.”

“ Se fizeram isso com o ramo verde, o que farão com os secos?”

“Não quero a beleza, quero a identidade. A beleza seria um acréscimo, e agora vou ter que dispensá-la. O mundo não tem intenção de beleza, e isto antes me teria chocado: no mundo não existe nenhum plano estético, nem mesmo o plano estético da bondade, e isto antes me chocaria. A coisa é muito mais que isto. O Deus é maior que a bondade com sua beleza.”



Todas, de Clarice Lispector; todas, de A Paixão Segundo G. H.

domingo, 30 de agosto de 2009

SAUDADE DAQUILO QUE NUNCA EXISTIU? SAUDADE DO QUE NUNCA VIVEMOS, DO QUE NUNCA PRESENCIAMOS?

"Também temos saudade do que não existiu,e dói bastante."
Carlos Drummond de Andrade.


“Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!”
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego.


Saudade do que nunca fomos, do que nunca podíamos ter sido, posto que não existíamos... Nostalgia de um tempo em que não éramos. Sentir falta do que não aconteceu conosco, do que não houve, do que poderia ter sido, mas impossível, não estávamos lá. Mas queríamos ter estado, sentido, tocado; queremos, quero.

domingo, 26 de julho de 2009

Sobre A Felicidade:

"As pessoas devem ser consultadas se estão felizes. Se a grande maioria da população estiver feliz com a situação atual, nós a aceitaremos também."



Nada pode ser mais natural, mais comum, mais simples, mais verdadeiro e profundo, do que os pensamentos, as ideias, e os desejos, que a frase acima citada podem suscitar, estimular! Mas a algo de estranho no ar. Não com as palavras, belas em toda sua essência. Mas com a pessoa que a pronunciou, uma pessoa que já fez parte do poder teocrático da República Islâmica do Irã. Sim, a frase acima foi pronunciada pelo ex-Presidente do Irã (1997-2005), Mohammad Khatami.

No entendimento do ex-Presidente da República Islãmica do Irã, seria a única saída para por fim à crise política após o resultado da eleição presidencial deste ano. A pergunta que nos vem à cabeça logo de imediato é: Mohammad Khatami tem, teve, ou terá, realmente ideia do que disse? Um pensamento como este é digno do começo de uma revolução! Uma Palavra de Ordem! Que maravilhoso não seria um sistema político que tivesse por essência a Felicidade! Comunismo? Anarquismo? Cristianismo Primitivo? O Paraíso Na Terra? O Povo, as pessoas, serem consultadas, para saber se estão felizes!? Imaginemos a situação: Um Plebiscito, onde a população é questionada sobre se está, ou não feliz, com, por exemplo, o resultado das últimas eleições presidenciais em seu país... Despencando de volta à realidade, isso nunca aconteceria! No Irã? Impossível! Ao Misturar Religião e Política, as brechas foram muito bem fechadas dentro do sistema: Aos poderosos Aiatolás sempre caberão afirmar, caso as pessoas escolham a opção de que não estavam felizes, que o demônio, o satã, enganou as pessoas... e eles, os Aiatolás, sabem verdadeiramente o reto caminho para a perfeição... Não, isto não acontecerá em uma "República" Islâmica! Eles, os Aiatolás, sabem o caminho da felicidade...

Mas, e em uma Democracia Ocidental? Em um Estado Republicano, Democrático, Laico? Seria possível uma consulta desse tipo à população? Não em relação às eleições, mas por exemplo, uma consulta que perguntasse: Você está feliz com os seus governantes? poderíamos ser mais específicos... Com o Prefeito? Governador? Presidente? Você está feliz com a atuação dos Vereadores? Deputados? Senadores? Com a segurança pública? Com o sistema de saúde? A Educação? O Clima?

Seria possível, ou seríamos tachados de loucos pelos "donos" do sistema? Talvez, quase certo, de que diriam ser esta uma "proposta descabida". Mas que isto seria uma idéia maravilhosa!, seria!...

"Você Está Feliz Com A (s)/O (s) ____________ Atual Do Seu País"?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Lutando!...

Confesso que não me importo
Nem com a vitória
Nem com a derrota.
Não, não sou cínico.
Ficaria, e fico, imensamente feliz
Com a vitória.
Mas fico ainda mais feliz
Com o estar em luta.
O ainda poder lutar.
Pra mim, esta é a verdadeira
Vitória.
Aqui, o gerúndio é quem dá
O tom: Lutando!...

Poderia não ter entrado
Na luta.
Mas por que não lutar
Se ainda o posso fazer?
Estou vivo, ainda.
Lutando, ainda.

Poderia ter desistido
Da luta.
Mas ainda o mesmo pensamento:
Se podemos lutar
Lutemos!
A dignidade do estar vivo está justamente nisso:
Não é índigo quem com medo não entra na luta;
Não é indigno quem sendo contra não entra na luta;
Não é indigno quem tendo fraquejado foge da luta;
Não é indigno quem desejando não pôde lutar;
Indigno é aquele
Que podendo lutar
Nada fez, nada faz.

Estou vivo
Sigo Lutando
Sinto-me digno por isso.


“Se não podes ter a razão e a força. Escolhe sempre a razão e deixa a força ao inimigo. Em muitos combates a força permite obter a vitória , porém só a razão vence a luta toda. O poderoso nunca poderá sacar razão de sua força, porém nós sempre poderemos obter força da nossa razão.” Velho Antônio.


“Muitas palavras caminham no mundo. Muitos mundos se fazem. Muitos mundos nos fazem. Há palavras e mundos que são verdades e verdadeiros. Nós fazemos mundos verdadeiros. Nós somos feitos por palavras verdadeiras.” Subcomandante Marcos.

“Só os gestos sobrevivem” Osman Lins.